Neuralgia do Trigêmeo
Sintomas, diagnóstico e tratamento.

O que é a neuralgia do trigêmeo?
Dor facial intensa e em choque pode não ser dor de dente.
A neuralgia do trigêmeo é uma condição neurológica que se manifesta como episódios de dor facial súbita, intensa e frequentemente incapacitante.
A intensidade é tamanha que faz a neuralgia do trigêmeo ser descrita como uma das dores mais severas já descritas na medicina. Por esse motivo, pode impactar de forma significativa a qualidade de vida dos pacientes que sofrem com ela.
O nervo trigêmeo é o nervo responsável pela sensibilidade da face. Sem ele, teríamos anestesia de toda a face.
Esse nervo é dividido em três ramos, um para cada porção da face (superior, média e inferior).
Desgastes ou compressões do nervo trigêmeo podem desencadear a dor, que costuma ocorrer em apenas um lado da face, sendo espontânea ou desencadeada por estímulos simples e geralmente não dolorosos, como falar, mastigar, escovar os dentes ou até mesmo o leve toque na pele.
Características da dor do trigêmeo
Dor em choque, ultracurta, geralmente unilateral, que não se localiza em um ponto específico, mas que, em geral, acomete uma faixa da face (superior, média ou inferior), podendo eventualmente ser percebida como mais intensa em um ponto específico.
Apesar de a dor ser de curta duração e apresentar intervalos sem dor, as recorrências costumam ser frequentes, chegando a centenas de episódios ao dia.
O que causa a neuralgia do trigêmeo?
Embora os sintomas sejam semelhantes, existem duas formas de neuralgia do trigêmeo, sendo a forma primária a mais frequente.
Forma primária ou essencial: ocasionada por um desgaste localizado no nervo trigêmeo, geralmente decorrente da compressão por vasos sanguíneos que participam da nutrição do tecido cerebral.
Forma secundária: ocasionada por processos inflamatórios (como na esclerose múltipla) ou por compressões tumorais do nervo trigêmeo.

Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é realizado após avaliação com um especialista em doenças do nervo trigêmeo, geralmente um neurocirurgião.
Esse diagnóstico é baseado nos sintomas previamente descritos e no exame físico.
A ressonância magnética também é um exame essencial, pois permite diferenciar entre neuralgia primária (essencial) e neuralgia secundária.
Essa distinção é fundamental, uma vez que o tratamento pode variar significativamente entre essas condições.
Tratamento da Neuralgia do Trigêmeo
O tratamento da neuralgia do trigêmeo essencial é, inicialmente, medicamentoso.
Existem diversas opções disponíveis, como carbamazepina, oxcarbazepina, pregabalina,
gabapentina, baclofeno, entre outras. Analgésicos potentes, como os opioides, também podem ser utilizados como auxiliares.
O desafio do tratamento medicamentoso é que nem sempre as medicações conseguem controlar adequadamente a dor e, mesmo quando eficazes, podem estar associadas a efeitos colaterais.
Por isso, a definição da melhor estratégia depende de uma avaliação individualizada e de um teste terapêutico inicial.
Para os pacientes que não obtêm controle satisfatório da dor com o uso das medicações ou que desenvolvem efeitos colaterais relevantes, pode-se considerar o tratamento intervencionista.
As opções incluem:
• Cirurgia de microdescompressão do trigêmeo (técnica associada às maiores taxas de controle duradouro da dor)
• Microcompressão por balão
• Radiofrequência
• Radiocirurgia
Cada uma dessas técnicas apresenta taxas específicas de controle da dor e perfis distintos de risco, razão pela qual a escolha do tratamento deve ser individualizada.
Neuralgia do trigêmeo é uma condição grave?
Na prática, a neuralgia do trigêmeo essencial não é considerada uma doença estrutural, mas uma condição funcional, ou seja, não há necessariamente uma lesão tumoral ou degenerativa, mas um desarranjo envolvendo estruturas normais do sistema nervoso. Apesar disso, os sintomas podem ser extremamente intensos e causar impacto significativo na vida do paciente






