top of page

Notícias

Tumor de hipófise: quando é possível tratar com remédio?

  • 22 de jan.
  • 3 min de leitura

Os tumores de hipófise (adenomas hipofisários) são comuns e, na grande maioria dos casos,  benignos. Uma dúvida muito frequente é: 


“Precisa operar?” 


A resposta é: depende do tipo de tumor


Alguns tumores têm excelente resposta com remédios, enquanto outros necessitam cirurgia como  primeira escolha. 


Neste texto, você vai entender quando o tratamento medicamentoso é possível e quais medicações  são utilizadas. 


O que define o tratamento? 


O principal fator é: o tumor produz hormônio ou não? 


• Tumores funcionantes (produzem hormônios): prolactinoma, acromegalia (GH), Cushing  (ACTH) 

• Tumores não funcionantes: geralmente o problema é compressivo (visão/cefaleia) ou  crescimento 


Outros fatores: 

• tamanho e invasividade 

• sintomas visuais (compressão do quiasma) 

• idade e comorbidades 

• resposta a tratamentos prévios 


1) Prolactinoma – o caso em que remédio é primeira escolha 


O prolactinoma é o adenoma que produz prolactina.  


É o exemplo clássico em que a medicação é o tratamento padrão, e a cirurgia fica reservada para  exceções. 


Objetivos 

• normalizar prolactina 

• reduzir volume tumoral 

• recuperar função gonadal (fertilidade, libido, ciclos menstruais)


Medicações: agonistas dopaminérgicos 


Cabergolina (primeira escolha) 

• marcas: Dostinex® e genéricos 

• dose inicial: 0,25 mg 2x/semana 

• dose usual alvo: 0,5–1 mg/semana 

• máximo comum: 2–3 mg/semana (resistentes) 


Bromocriptina (alternativa) 

• marcas: Parlodel® e genéricos 

• dose inicial: 1,25 mg/dia 

• dose habitual: 2,5–7,5 mg/dia 

• máximo comum: 10–15 mg/dia 


A resposta costuma ser excelente: muitos tumores reduzem muito e a prolactina normaliza. 


2) Acromegalia – medicação como complemento, não como  primeira linha 


Na acromegalia, o tumor produz GH (hormônio do crescimento), elevando IGF-1 e causando  alterações sistêmicas importantes. 


Em geral, a primeira linha é cirurgia, especialmente quando: 

• há compressão local; 

• há chance de cura cirúrgica. 


A medicação entra quando: 

• cirurgia não é possível ou não curou completamente; 

• radioterapia não foi suficiente para controlar crescimento tumoral; • controle hormonal permanece inadequado. 


Principais classes 


Análogos da somatostatina 


Octreotida LAR (Sandostatin LAR®) 

20–30 mg IM mensal

máximo: 40 mg/mês 


Lanreotida (Somatuline®) 

90–120 mg SC mensal 

máximo: 120 mg/mês 


Pegvisomanto (Somavert®) 

• 10–30 mg SC/dia 

• máximo: 40 mg/dia  


✅ muito eficaz para normalizar IGF-1, mas não reduz tumor 


Cabergolina 

• útil em casos selecionados (principalmente GH + prolactina) 

• 0,5–2 mg/semana (individualizar) 


3) Doença de Cushing – não há medicação específica do tumor  na maioria dos casos 


A doença de Cushing ocorre quando um adenoma hipofisário produz ACTH, elevando cortisol. 


Tratamento principal: cirurgia transesfenoidal


Em geral: 

• não existe “um remédio específico” universal para o tumor hipofisário 

• pode-se utilizar medicações para reduzir produção de cortisol na suprarrenal como  ponte/controle parcial 


Cetoconazol (bloqueio adrenal) 

• marcas: Nizoral® e genéricos 

• dose inicial: 200 mg 2–3x/dia 

• dose usual: 600–800 mg/dia 

• máximo comum: 1200 mg/dia 


Em muitos casos o controle é limitado e exige monitorização (especialmente função hepática).


4) Tumores malignos – raríssimos, mas podem exigir quimioterapia 


Carcinoma hipofisário e tumores agressivos são extremamente raros. 

Quando há comportamento invasivo e progressivo, pode ser necessário: 

• cirurgia 

• radioterapia 

• e em casos selecionados: quimioterapia 


Temozolomida (Temodal®) 

• 150–200 mg/m²/dia por 5 dias 

• repetido a cada 28 dias 

• dose máxima do ciclo: 200 mg/m²/dia 


Conclusão 


Nem todo tumor hipofisário precisa cirurgia — mas também nem todo tumor responde a remédios. 


Prolactinoma: remédio é padrão e costuma funcionar muito bem.  

Acromegalia: cirurgia é principal; medicação entra quando necessário. 

Cushing: medicação é suporte/ponte, com controle limitado.  

Malignos: raríssimos; podem exigir quimioterapia (temozolomida). 

Se você tem suspeita de tumor hipofisário, sintomas hormonais ou alterações na visão, agende sua  avaliação para definir a melhor estratégia

 
 
bottom of page